A primeira anotação sobre a TRIA cabe em uma página de caderno: três nomes, uma seta e a palavra camisa. Foi numa mesa de café em Birigui, em uma quarta-feira sem nome. Não tinha plano de negócio, fluxo de caixa, nem manual de marca. Tinha frustração. E a teimosia gentil de transformar frustração em ofício.
Crescemos juntas. Vimos o armário se transformar dos primeiros experimentos com peças adultas até a busca, na vida profissional, por uma camisa que servisse. Servisse de verdade. Caísse direito no ombro, não tivesse aquele bolso falso, fosse de um tecido que aceitasse o suor de um almoço de trabalho. Essa camisa custava a aparecer.
Três cadernos, uma teimosia
Cada uma chegou com a sua coleção de referências. Recortes do Pinterest, fotos antigas da família, etiquetas de peças que envelheceram bem, anotações sobre tecidos. A vontade era a mesma. A linguagem para descrever, ainda não. Levou meses para a gente conseguir nomear o que queria. E quando conseguiu, virou a base de tudo.
- Modelagem que respeita corpos reais, não os de revista.
- Tecidos com origem rastreável, sempre que possível.
- Acabamento que se vê por dentro, não só na vitrine.
- Atemporalidade. Peças que envelhecem com a gente.
Por que camisa
Porque é a peça mais democrática do guarda-roupa adulto. Atravessa ocasião, idade, estação. Acompanha rotina. Aceita texturas, cores, modelagens. E porque é exigente: uma camisa malfeita aparece. Uma bem feita acompanha por anos. Esse rigor combina com a forma como a gente quer trabalhar.
“Selecionamos o que veste sua rotina. Com carinho e critério.”
, Manifesto TRIA
A primeira coleção tem sete modelos. Sete porque era o número que cabia no nosso primeiro lote, com qualidade. Não é mostruário inteiro de tendência. É o que a gente conseguiu fazer bem feito agora, com fornecedores que conhecemos pelo nome. O resto vem com o tempo.
É uma marca pequena. Vai continuar pequena por enquanto. E a gente faz questão de manter assim. Com tiragens enxutas, drops a cada quinze ou vinte dias, troca por nossa conta sempre. Slow fashion não é só sobre tecido. É sobre o ritmo com que a gente decide costurar, lançar, responder uma dúvida no WhatsApp.
O que vem agora
Estamos construindo, peça a peça. Cada camisa que sai do nosso ateliê leva um pedaço dessas três cabeças. E cada cliente que volta nos avisa, sem querer, qual o próximo caminho. Por isso esse diário existe. Para dividir o que pensamos enquanto costuramos.
Obrigada por ler até aqui. Bem-vinda à TRIA.